quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estudando Garçon - Introdução/Exemplos de Restaurantes

Introdução

 A expansão do fenômeno turístico e o rápido decorrer da atividade, nas mais distintas latitudes do mundo nas últimas décadas, tem sido objeto de estudo, por diversos experts  da área. Um dos motivos pelo qual o turismo tem se expandido tanto, é por causa da globalização, já que para ela as fronteiras são quase inexistentes. Também isso se deve ao aumento de tempo livre por causa das reformas trabalhistas, que tendem a reduzir as jornadas de trabalho, promovendo algo que hoje se pode traduzir como sociedade do bem- estar.

A grandiosa evolução quantitativa se deve a mobilidade de pessoas e recursos, o que permite afirmar com muita consciência que o turismo tem uma grande capacidade para dar condições ao desenvolvimento social e econômico nos destinos. Poucos subsetores da economia possuem essa versatilidade e flexibilidade para adaptarem-se as condições próprias de cada localidade, e, é exatamente por isso que discorrer sobre turismo e desenvolvimento local tem sido cada vez mais habitual. Com isso, há um crescimento da demanda por profissionais especializados paraatender às diversas funções existentes nesses estabelecimentos. Dentre esses profissionais, destacamos os garçons como sendo uma das figuras de maior destaque em um restaurante e, muitas vezes, a principal, pois na maioria dos estabelecimentos ele é o único contato com o cliente. E, por isso, a opinião sobre um restaurante está diretamente ligada a esse profissional.

Com a grande diversidade de restaurantes, um bom atendimento, além de cativar o cliente gerando mais lucratividade, significa também o retorno do visitante. E vai além, quando o consumidor é bem atendido ele indica o seu estabelecimento para outras pessoas, o famoso boca a boca.

O restaurante

Você sabia que as origens do restaurante recuam aos limites da pré-história e da história? Esse tipo de comércio surgiu com os mercados e as feiras que obrigavam camponeses e artesãos a deixarem seu domicílio durante um ou vários dias e, portanto, a se alimentarem, ao mesmo tempo em que estabeleciam ou mantinham relações sociais, de amizade ou de negócios (FLANDRIN, 2000).

Restaurante é um estabelecimento no qual, mediante pagamento, é possível sentar-se à mesa para comer e beber, fora de casa. Se você está na estrada, é fácil identificar a proximidade de um restaurante através do símbolo ao lado.

São vários os tipos de restaurantes e eles podem ser classificados pelo tipo de cozinha, tipo de serviço, tamanho do estabelecimento, ou outros critérios.

 

Alguns exemplos

 

• Restaurante clássico ou internacional – tem padrão requintado e o cardápio é composto de pratos da cozinha internacional e alguns nacionais.
• Churrascaria – restaurante especializado em churrasco (cozimento em brasa, em que a superfície fica dourada e o interior cozido). Geralmente, as carnes de churrasco são servidas à mesa e os demais pratos em bufê.
• Restaurante típico – caracteriza, de forma bem marcada, uma região ou um país. O cardápio e a decoração são característicos do local representado.
• Café – casa onde são servidos, além do café, chás, bebidas alcoólicas e lanches.
• Pub – do inglês public house - tipo de bar da Inglaterra. Serve bebidas e alguns pratos.
• Restaurante de hotel ou pousada – normalmente, serve refeições para os hóspedes. Alguns deles são abertos para o público externo. O serviço mais comum nesse tipo de restaurante é o de café-da-manhã.
• Refeitório de empresa – é um restaurante localizado dentro de uma empresa e serve refeições para os funcionários. Sua característica principal é, normalmente, o serviço simples e rápido.

Quando uma pessoa (cliente, visitante ou turista) vai a um restaurante, ela busca muito mais que alimento e bebida; busca também serviço, ambiente agradável, limpeza e as mais diversas experiências. Sua satisfação será influenciada pelo atendimento à expectativa em relação a todos esses itens de busca.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Estudando Panificação - Dicas Úteis

Dicas Úteis

TM = tempo de mistura em 1ª velocidade
TC = tempo de batimento em 2ª velocidade ou “cilindragem”
TD = tempo de descanso
TF = tempo de fermentação
LASTRO = tempo e temperatura aproximados para assamento em forno de lastro.
VERTICAL = tempo e temperatura aproximados para assamento em forno com circulação forçada de ar quente, tipo turbo, com colocação de assadeiras no sentido vertical.

MELHORADOR

A dosagem deve ser feita sempre de acordo com a recomendação do fabricante. A dose recomendada pode variar ligeiramente para mais ou para menos, dependendo das características da farinha e tipo de massa, entre outros aspectos.

 

ÁGUA

A quantidade de água das receitas pode variar devido à qualidade da farinha, tempo de armazenagem ou qualidade do trigo entre outros fatores. Quando executar as receitas, lembre-se que a quantidade de água mencionada é um parâmetro e a quantidade certa é a que a farinha absorver.

FERMENTO BIOLÓGICO

Nas receitas está a dosagem para fermento biológico fresco; para trabalhar com fermento biológico seco instantâneo, a dosagem é equivalente a um terço da dosagem do fermento fresco.

TEMPOS DE TRABALHO NA MASEIRA

Os tempos de trabalho em primeira e segunda velocidades mencionados nas receitas são tempos de referência e variam de acordo com a qualidade da farinha, composição do produto, qualidade de outras matérias primas ou outros fatores.

Observe o desenvolvimento da massa durante o batimento e até o ponto ideal; aprenda a reconhecer as características de uma massa bem preparada e a consistência ideal para cada tipo de produto.

DIVISÃO DE MASSA

O peso das bolas de massa que serão divididas na divisora deve ser calculado com base no número de divisões e peso de cada peça: multiplique o número de divisões pelo peso de cada pão cru para obter o peso da bola.

TEMPO DE DESCANSO

O tempo de descanso deve começar a ser contado a partir do boleamento da primeira bola e esta será a primeira a ser trabalhada. Os tempos sugeridos nas receitas variam de acordo com a qualidade da farinha, temperatura da massa, quantidade de fermento, temperatura ambiente ou outros fatores. Durante esta etapa a massa deve permanecer coberta com plástico para evitar o ressecamento da superfície.

TEMPO DE FERMENTAÇÃO

O tempo de fermentação varia devido à temperatura ambiente, temperatura da massa e duração do descanso, entre outros fatores. Os tempos citados nas receitas são tempos estimados para câmara de fermentação com temperatura e umidade controladas; para fermentação fora de câmaras de fermentação, o tempo será diferente.

TEMPO E TEMPERATURA DE FORNO

Observe as características dos produtos e estabeleça os critérios para o uso correto do seu equipamento. Não acondicione pães de tamanhos diferentes na mesma assadeira pois ficarão prontos em momentos diferentes.

Estudando Panificação - Preparo de Massas Fermentadas

Preparo de Massas Fermentadas

1 – Colocar na masseira todos os ingredientes secos da receita. Caso esteja utilizando misturas prontas ou fermento biológico seco instantâneo, coloque nesta etapa;

2 – Ligar a masseira em primeira velocidade por um ou dois minutos para descompactar, oxigenar e misturar os ingredientes secos;

3 – Programar os tempos de batimento em primeira e segunda velocidades;

4 – Religar a masseira e adicionar a água aos poucos;

5 – Adicionar à massa parcialmente hidratada os ovos ou gemas frescos ou líquidos pasteurizados.

Atenção: os ovos ou gemas contêm grande parte dos líquidos da receita e não podem ficar para o final. Somente a água é o líquido que pode ter sua dosagem variável na receita;

6 – Adicionar a gordura e homogeneizar;

7 – Continuar a adição da água aos poucos.

Atenção: a massa deve estar com umidade adequada antes de entrar em segunda velocidade, quando a rede de glúten se desenvolve;

8 – Início da segunda velocidade. Acrescentar o fermento biológico fresco. Atenção: o momento da adição do fermento biológico fresco pode variar para mais ou para menos, dependendo das temperaturas que estão interferindo no momento mas sempre será adicionado na fase final;

9 – Adicionar água até a consistência desejada;

10 – Término do batimento programado.

Verificar a formação da rede de glúten e a consistência ideal da massa:

A – Rede formada e consistência boa: verificar temperatura da massa e passar para etapa seguinte.
B – Rede mal formada e consistência boa: reprogramar mais batimento em segunda velocidade.
C – Rede formada e consistência dura: reprogramar mais batimento em primeira velocidade, adicionar água até a consistência desejada e misturar até incorporar a água.

Estudando Panificação - Cálculos de Balanceamento

Cálculos de Balanceamento

1) Como calcular o peso dos ingredientes já sabendo as porcentagens de cada ingrediente na receita e o peso da farinha?

1º Multiplicar o peso da farinha pela porcentagem do ingrediente do qual eu desejo saber o peso;
2º Dividir o resultado por 100;
3º O resultado final é o peso do ingrediente.

Exemplo: Pão Francês

Farinha de Trigo                   100%                  10.000 g
Sal                                            2%                       200 g
Melhorador                               1%                       100 g
Fermento                               2,5%                       250 g
Água                                       60%                    6.000 g

A quantidade de sal, por exemplo, foi calculada assim:

(Quantidade de farinha x porcentagem de sal) dividido por 100 = quantidade de sal ( 10.000 g x 2 % ) dividido por 100 = 200 g

2) Qual vai ser o rendimento da receita?

1º Somar a quantidade de todos os ingredientes para encontrar o total da massa;
2º Dividir o total da massa pelo peso de cada pão cru;

3º O resultado é o número de pães que obteremos na receita.

Exemplo: Pão de Hambúrguer com 80 g

Farinha de Trigo               100%                 5000 g
Sal                                         2%                  100 g
Açúcar                                  10%                 500 g
Melhorador                             1%                   50 g
Gordura                                  6%                 300 g
Fermento Fresco                     4%                 200 g
Água                                      50%              2500 g
                                     TOTAL DE MASSA = 8650 g

O rendimento será:

Total da massa dividido pelo peso de cada pão cru = rendimento em n.º de pães.

( 8650 g ÷ 80 g ) = 108 pães

3) Como calcular uma encomenda de pães?

• É preciso saber o peso de cada pão cru.
• É preciso conhecer as porcentagens da receita.

1º Somar todas as porcentagens para saber o total de porcentagem;
2º Multiplicar o número de pães que se deseja obter pelo peso de cada pão cru. O resultado é o total de massa;
3º Multiplicar o total de massa pela porcentagem da farinha que é 100;
4º Dividir o resultado pelo total de porcentagem;
5º O resultado final é o peso da farinha;
6º Prosseguir com os cálculos para saber os outros pesos;
7º Somar o peso de todos os ingredientes e conferir com o total de massa obtido anteriormente;

8º Aumentar ou diminuir o peso da farinha, arredondando o valor para executar corretamente a encomenda.

Exemplo: Encomenda de 200 pães de hambúrguer com 80 g

Farinha de Trigo          100%
Sal                                   2%
Açúcar                            10%
Melhorador                      1%
Gordura                           6%
Fermento fresco              4%
Água                              50%
TOTAL                          173 %

N.º de pães x peso de cada pão cru = total de massa da encomenda.

(200 pães x 80 g = 16000 g de massa)

Total de massa x % de farinha ÷ % total = peso da farinha

(16000 g de massa x 100 173 = 9248 g)

Para saber a quantidade dos demais ingredientes, proceder como em (1).

4) Como balancear uma receita (descobrir as porcentagens) quando eu só conheço os pesos?

• Em panificação, a farinha será sempre 100%
• Em confeitaria, o ingrediente que estiver em maior quantidade na receita será considerado como 100%

1º Verifique qual o ingrediente considerado como 100%;
2º Multiplicar o peso do ingrediente do qual se deseja saber a porcentagem por 100;
3º Dividir o resultado pelo peso da farinha (se for pão) ou pelo peso do ingrediente que estiver em maior quantidade na receita (se for produto de confeitaria);
4º O resultado será a porcentagem do ingrediente na receita.

Estudando Panificação - Higiene e Profissionalismo

Higiene e Profissionalismo

Princípios do Profissionalismo

Asseio pessoal
Atitude positiva perante o trabalho.
Boa saúde mental e física.
Habilidade para trabalhar numa equipe.
Vontade de aprender.
Horror ao desperdício.
Humildade para conseguir experiência.
Dedicação à qualidade.

Vigilância Sanitária

A maioria das doenças causada por alimentos provem de bactérias.

Elas podem ser classificadas em 4 tipos:

1- Inofensivas. Não nos preocupamos com estas.
2- Úteis. Estas bactérias nos ajudam, por exemplo para digerirmos os alimentos, outras são utilizadas para a produção de queijos, iogurtes, etc.

3- Indesejáveis. São as que causam o apodrecimento e a decomposição. Estam podem ou não nos fazer mal, mas quase sempre denotam sua presença pelo mal cheiro ou por seu aspecto, quase sempre provocam descoloração ou modifi cação da cor do alimento. Em dúvida jogue fora. Porém isso nos traz prejuízo, melhor é conservar bem os alimentos.
4- Patológicas. Estas geralmente não mostram sua presença, são realmente traiçoeiras e podem nos causar muito mal, inclusive a morte.

Bactérias patológicas

As bactérias em condições adequadas se multiplicam numa velocidade espantosa. Podem dobrar o seu número a cada 15 minutos. Isso signifi ca que uma simples bactéria pode se multiplicar e chegar a um milhão em poucas horas:1-2-4-8-16-32-64-128-256-512-1024-2148-4096-8192-16384-32768-65536-131072-262144-524288-1048576 em 20 vezes 15 minutos que é igual a 5 horas.

As bactérias gostam muito das nossas comidas, principalmente as mais ricas em proteínas, carnes, leite, ovos, etc, elas precisam de água para absorver o alimento, é por isso que os alimentos desidratados se conservam bem, inclusive elas não gostam de muito sal nem muito açúcar, por isso essas são as melhores maneiras de se conservar os alimentos: secar, salgar e adoçar. Apesar delas demorarem um certo tempo para se adaptar a um novo ambiente, elas crescem mais velozmente entre 4°C e 60°C, por isso na geladeira elas se multiplicam mais devagar (não param de se multiplicar) e a Pasteurização as mata.

As bactérias preferem meios neutros, não gostam de acidez excessiva e nem de alcalinidade excessiva, a maioria precisa de ar mas uma das mais perigosa é anaeróbica, vivem dentro de latas e causam o Botulismo, que pode ser letal. Não basta matarmos as bactérias pois seu excremento, as toxinas podem ser igualmente perigosas. As bactérias não tem pés, elas precisam ser transportadas por alguém ou alguma coisa, que geralmente são: mãos, tossidos e espirros, outras comidas que já estejam contaminadas, equipamentos e utensílios sujos ou incorretamente lavados, ar, água, insetos, ratos e camundongos.

Outras doenças transmitidas por alimentos

São várias as doenças que podem ser transmitidas pelos alimentos, eis algumas: Hepatite, que pode ser transmitida por práticas sem higiene de cozinheiros infectados, e produtos vindos de águas poluídas. Cisticercose, que pode ser adquirida através de legumes, verduras e frutas mal lavadas. A cisticercose écausada pela ingestão acidental dos ovos da Taenia solium: platelminto que tem como hospedeiros intermediários os suínos. Indivíduos com teníase, por possuírem em seu organismo a forma adulta da tênia, liberam ovos destes animais, juntamente com suas fezes, podendo contaminar a água ou mesmo alimentos ou mãos. Assim, ao se ingerir os ovos da T. solium, este parasita se encaminha do trato digestório à corrente sanguínea, e se aloja em órgãos como cérebro, olhos, coluna ou músculos. Para prevenir esta doença é preciso tomar algumas medidas, tais como: lavar as mãos depois de defecar e antes de manipular alimentos, beber água mineral ou fervida, lavar e retirar a casca das frutas antes de consumi-las, evitar alimentos que possam estar contaminados com fezes, evitar o consumo de carnes cruas ou mal passadas, especialmente a carne suína.

Higiene Pessoal

1- Não trabalhe com comida se você tem alguma doença infecciosa.
2- Tome banho e barbeie-se todos os dias.
3- Use somente roupas limpas.
4- Mantenha os cabelos cortados e penteados, use sempre um chapéu. Se você lavar e pentear os cabelos várias vezes ao dia, eles ficarão presos ao pente.
5- Mantenha bigodes e barba limpas e curtas.
6- Lave as mãos e partes expostas dos braços, e lave-as rotineiramente durante o serviço. Principalmente após comer, beber, ou fumar ou ir ao banheiro.
7- Cubra com as mãos tossidos e espirros, depois lave-as imediatamente.
8- Mantenha as mãos afastadas da sua face, olhos, cabelos, e braços.
9- Mantenha as unhas curtas e limpas. Não use esmalte.

10- Nunca fume ou masque chicletes no trabalho.
11- Cubra qualquer machucado ou arranhões com bandagens limpas. Se forem nas mãos coloque luvas.
12- Nunca sente-se numa mesa de trabalho.

Temperaturas adequadas para guardar os alimentos

Abaixo de -20°C: As bactérias não se desenvolvem, muitas podem morrer, Essa é a melhor temperatura para guardar alimentos congelados.
Entre 0°C e -20 °C: As bactérias não se multiplicam mas não morrem.
Entre 0°C e 4°C: A comida fi ca salva por curtos períodos. O crescimento das bactérias é vagaroso.
Entre 4°C e 60°C: AS bactérias se multiplicam muito rapidamente.
Entre 60°C e 74°C: As bactérias não se multiplicam, mas muitas não morrem.
Entre 74°C e 100°C: A maioria dos organismos que causam doenças morrem.

A pasteurização está relacionada também com o tempo em que o alimento fica a uma determinada temperatura, o leite por exemplo fica 30 minutos a 60°C ou a 75°C por 20 segundos.

Para não estragar os alimentos por congelamento, etc, deve-se conservar as batatas, cebolas, etc, entre 10°C e 18°C, os vegetais e frutas entre 4°C e 7°C, os ovos entre 3°C e 4°C, leite e creme de leite entre 2°C e 4°C, carnes entre 0°C e 2°C, peixes entre 1°C e -1°C.

Estudando Panificação - Aditivos para Panificação

Aditivos para panificação

CONCEITOS E FUNCIONALIDADE
ART AL002 – 06/00
1
Pavanelli, A.P.Oxiteno S/A Indústria e Comércio ABIAM - Associação Brasileira da Indústria de Aditivos e Melhoradores para Alimentos e Bebidas

1. INTRODUÇÃO

Os aditivos constituem um grupo de produtos de grande importância para a tecnologia de panificação. Os processos atuais de fabricação dos produtos de panificação, e a grande escala de produção exigida pelo mercado foram os principais responsáveis pela utilização de aditivos em panificação. Embora os aditivos não sejam considerados matérias primas essenciais, a sua presença é fundamental para a obtenção de produtos de qualidade, principalmente aqueles aditivos que atuam na correção de possíveis deficiências na qualidade da farinha de trigo. As principais matérias-primas utilizadas nos processos de fabricação de produtos de panificação, em especial os pães fermentados biologicamente, podem ser divididas em três grupos: ingredientes essenciais, ingredientes complementares e aditivos. O objetivo desta revisão é apresentar, em linhas gerais, as principais matérias-primas envolvidas no processo de panificação, e, com maior destaque, os aditivos e suas funções. Também são discutidas algumas tendências para a legislação do MERCOSUL que deverá regulamentar o uso de aditivos em panificação.

2. MATÉRIAS-PRIMAS ESSENCIAIS

A composição mínima do pão, ou seja, os ingredientes essenciais para obtenção do pão são: farinha de trigo, água, sal e fermento biológico.

2.1. Farinha de trigo

A farinha de trigo é o componente estrutural da massa, e constitui o ingrediente fundamental para obtenção do pão. A farinha de trigo possui proteínas - a gliadina e a glutenina - com características funcionais únicas, capazes de formar uma rede - o glúten - com propriedades viscoelásticas, e que retém o gás formado durante a fermentação.

2.2. Água

 A água é também um ingrediente imprescindível na formação da massa. Ela hidrata as proteínas da farinha de trigo tornando possível a formação da rede de glúten. A água atua também como solvente e plastificante e permite que, durante o processo de cozimento do pão, ocorra o fenômeno de gelatinização do amido.

2.3. Sal

O sal é indispensável em qualquer formulação de pão. O sal exerce basicamente duas funções principais: a primeira é contribuir para o aroma e sabor do pão. A segunda função do sal relaciona-se com as propriedades reológicas da massa, pois o sal faz com que a massa fique mais “ forte “, ou seja, o sal aumenta a resistência à extensão do glúten.

2.4. Fermento biológico

Quando falamos de fermento biológico, estamos nos referindo a uma levedura selecionada, denominadaSaccharomices cerevisiae. O papel principal do fermento é fazer a conversão de açúcares fermentáveis presentes na massa a CO2 e etanol. Além de produzir CO2, que é o gás responsável pelo crescimento do pão, o fermento também exerce influência sobre as propriedades reológicas da massa, tornando-a mais elástica.

 

 3. MATÉRIAS-PRIMAS COMPLEMENTARES

Além dos ingredientes essenciais, usualmente são empregados nos pães outros ingredientes complementares, dentre os quais os mais importantes são açúcar, gordura, leite e ovos. Estes ingredientes apresentam maior ou menor grau de importância em função do tipo de pão que se deseja fabricar. De maneira geral, os ingredientes complementares melhoram aspectos de maciez e textura dos produtos, aumentam a vida-de-prateleira, alteram o sabor e o valor nutricional.

3.1. Açúcar

O açúcar é um elemento muito importante nas formulações, por duas razões principais: em primeiro lugar, o açúcar serve como fonte de carboidratos fermentáveis para o fermento. Pães sem açúcar suficiente desenvolvem volumes baixos porque o fermento não pôde produzir gás. Em segundo lugar, o açúcar contribui para melhorar o sabor e o aroma do pão.

3.2. Gordura

 As gorduras exercem nas massas uma ação que não é química, mas física: as gorduras exibem a capacidade de se posicionarem entre camadas de glúten, facilitando o deslizamento entre essas camadas. Assim, dizemos que as gorduras lubrificam o glúten, o que resulta em maior extensibilidade das massas. Em virtude desta ação, as gorduras proporcionam pães com maiores volumes em relação a pães produzidos sem gordura. O aumento de volume é significativo, usualmente em torno de 10 %. As gorduras também tornam a massa mais macia, melhorando a textura do miolo e contribuindo para retardar o envelhecimento do pão, fazendo com que este fique macio e palatável por um período de tempo mais longo. As gorduras atuam ainda sobre o sabor (principalmente as gorduras animais) e sobre o valor nutricional.

4. ADITIVOS

 

4.1. Incorporação de Aditivos em Produtos de Panificação

A primeira forma de incorporação é a utilização dos aditivos isoladamente. Isso se aplica principalmente às indústrias de panificação, que definem quais são os aditivos que necessitam utilizar para cada tipo de pão, e os adicionam separadamente à massa, conforme suas necessidades. Uma segunda forma de agregação de aditivos aos produtos de panificação é através dos produtos denominados “condicionadores de panificação”, “melhoradores de panificação” ou ainda “unificados”. Estes produtos são constituídos por uma mistura dos principais aditivos para panificação, em quantidades fixas e ajustadas para o tipo de pão que se deseja fabricar, veiculado em amido - “condicionadores em pó” - ou em gordura - “condicionadores em pasta”. Este tipo de produto é ideal para ser utilizado pelas padarias e supermercados, porque facilita o trabalho do padeiro, já que dificilmente ele poderia utilizar os aditivos separadamente, uma vez que as quantidades necessárias são muito pequenas. A terceira forma de incorporação dos aditivos é através das “misturas industriais” para panificação. As “misturas industriais” são produzidas pelos moinhos de trigo, e são constituídas por todos os ingredientes necessários à fabricação de um determinado tipo de pão como, por exemplo, farinha, sal, açúcar, gordura, e também por todos os aditivos, nas quantidades exigidas pelo tipo de farinha que foi utilizado na mistura. A mistura, então, é destinada às padarias e supermercados, e o padeiro, para fabricação do pão, necessita adicionar apenas a água e o fermento biológico.

4.2. Regulamentos MERCOSUL para Aditivos Alimentícios

O MERCOSUL, ou Mercado Comum do Sul, surgiu em 1991, após a publicação do Tratado de Assunção, que estabelece a criação de um mercado comum entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Para facilitar o comércio entre os países, tornou-se necessário harmonizar a legislação para alimentos, tendo sido já publicadas diversas Resoluções sobre o assunto.

4.2.1. Lista Geral Harmonizada de Aditivos

Visando uniformizar a legislação referente a aditivos alimentícios, foi inicialmente estabelecida pelo grupo responsável pela regulamentação de aditivos no MERCOSUL, uma Lista Geral Harmonizada de Aditivos, através da Resolução GMC no.19/93, posteriormente modificada pelas Resoluções no. 55/94, 104/94, 28/96, 140/96 e 144/96. Esta lista harmonizada é uma lista positiva, ou seja, só podem ser utilizados em alimentos os aditivos presentes nesta lista.

Esta lista foi elaborada tendo como base as legislações em vigor nos Estados-Parte, a legislação da União Européia e as recomendações do Codex Alimentarius. A lista harmonizada engloba os aditivos denominados “BPF”, ou seja, Boas Práticas de Fabricação, que são aditivos que podem ser adicionados aos alimentos em geral, sem limitações quantitativas de dosagem; e aditivos com dosagem limitada, sendo que esta dosagem é estabelecida em função do tipo de alimento em que o aditivo será utilizado.

4.2.2. Classes Funcionais dos Aditivos Alimentícios

O MERCOSUL definiu também categorias funcionais para os aditivos alimentícios, através das Resoluções GMC no.83/93 e 107/94. Foram definidas 23 categorias funcionais de aditivos. Muitas destas categorias não existiam na legislação brasileira, como é o caso, por exemplo, da categoria de Emulsificantes / Emulsionantes. Cada categoria funcional recebeu, ainda, uma abreviação, para facilitar a sua codificação. A Tabela 1 apresenta as categorias funcionais estabelecidas e suas respectivas abreviações.

4.2.3. Categorias de Alimentos

Adicionalmente à definição da lista harmonizada de aditivos e das categorias funcionais dos aditivos, o MERCOSUL está, atualmente, estudando categorias de alimentos, e para cada categoria, os aditivos permitidos e seus respectivos limites de uso, para aditivos não classificados como BPF. No caso de produtos de panificação, estes foram enquadrados na Categoria 7 - Produtos de Panificação e Biscoitos. A categoria foi subdividida nas seguintes subcategorias: 7.1. Pães Prontos para Consumo e Semi-Prontos; 7.2. Biscoitos e Similares; e 7.3. Produtos de Confeitaria.

4.3. Principais Aditivos em Panificação

Dentre as categorias funcionais de aditivos previstas para uso em panificação, as mais importantes são os emulsificantes, os melhoradores de farinha e os conservantes. A categoria de melhoradores de farinha engloba aditivos que atuam como agentes oxidantes, como agentes branqueadores de farinha e também algumas enzimas.

4.3.1. Efeitos dos Aditivos em Panificação

Os aditivos atuam, de maneira geral, corrigindo ou neutralizando deficiências da farinha de trigo, o que facilita a padronização da qualidade dos produtos finais; eles também podem alterar o comportamento reológico das massas, melhorando características de extensibilidade e elasticidade das massas; outra função extremamente importante dos aditivos é o prolongamento da vida-de-prateleira, o que reduz as perdas do fabricante por retorno de produto; e ainda os aditivos proporcionam maior segurança contra falhas no processo, como por exemplo, períodos prolongados de amassamento mecânico ou fermentações mais longas. Todos estes efeitos dos aditivos resultam em melhor qualidade do produto final. No entanto, é importante salientar que a obtenção destes benefícios só é possível com a utilização correta dos aditivos, ou seja, sua dosagem deve ser sempre adequada ao tipo de farinha, ao produto final desejado e ao processo de panificação que se está utilizando.

Tabela 1: Categorias funcionais de aditivos alimentícios

Categoria Funcional                      Abreviação
Regulador de acidez                       AC REG

Acidulante                                         ACI

Agente de massa                              AGC

Antiumectante                                 AN AH

Antiespumante                                AN ESP

Antioxidante                                      ANT

Aromatizante                                     ARO

Corante                                             COL

Conservador                                     CONS

Edulcorante                                       EDU

Emulsionante / Emulsificante             EMU

Espessante                                        ESP

Estabilizante                                      EST

Estabilizante de cor                        EST COL

Realçador de sabor                           EXA

Agente de firmeza                             FIR

Melhorador de farinha                       FLO

Espumante                                        FOA

Geleificante                                        GEL

Glaceante                                          GLA

Umectante                                         HUM

Fermento químico                               RAI

Sequestrante                                     SEC

Fonte: Resoluções GMC no.83/93 e 107/94.

 

4.3.2. Emulsificantes

Há vários tipos de emulsificantes, mas todos eles apresentam uma estrutura molecular bastante peculiar, que é responsável pelas suas propriedades; os emulsificantes são substâncias que apresentam, na mesma molécula, uma porção hidrofílica, ou seja, que tem afinidade por água, e uma porção lipofílica, que tem afinidade por óleo ou outras substâncias apolares. Esta característica é que faz com que os emulsificantes possam exibir a capacidade de formar emulsões, tornando miscíveis substâncias normalmente imiscíveis, como água e óleo. Os principais emulsificantes utilizados em panificação são os polisorbatos, principalmente os polisorbatos 60 e 80, que são ésteres de sorbitan etoxilados; os mono e diglicerídios, derivados de tipos diferentes de gorduras e que podem ser obtidos com vários graus de pureza; os data-ésteres, que são ésteres de mono e diglicerídios com ácido diacetiltartárico; e os estearoil lactillactatos de sódio e de cálcio (conhecidos por SSL e CSL). De uma maneira geral, podemos resumir os efeitos dos emulsificantes em panificação comosendo os seguintes:

• lubrificação da massa, facilitando seu processamento mecânico;
• substituição parcial ou total da gordura da formulação, melhor distribuição da gordurautilizada;
• atuação sobre os componentes do amido - amilose e amilopectina - complexando-os ediminuindo a taxa de retrogradação do amido, o que se traduz em maior vida-de-prateleira do produto panificado;
• interação com o glúten, reforçando-o e proporcionando a obtenção de pães com maiores volumes finais e melhor estrutura;
• influência benéfica sobre a crosta e a crocância dos pães.

4.3.3. Agentes oxidantes

Dentre os melhoradores de farinha, os agentes oxidantes são os produtos de maior importância na tecnologia de panificação. Eles atuam diretamente sobre a estrutura das proteínas do glúten, reforçando a rede de glúten através da formação de ligações dissulfídicas. Estas ligações formadas afetam a reologia da massa, aumentando a resistência à extensão e diminuindo a extensibilidade. Como consequência direta da ação reforçadora dos oxidantes sobre o glúten, a capacidade de retenção de gases é aumentada, o que resulta em pães com maior volume. Os agentes oxidantes também aumentam o “oven-rise”, ou salto de forno, que é o aumento rápido de volume que ocorre nos primeiros minutos após a massa entrar no forno. No Brasil, o agente oxidante mais comumente utilizado é o ácido ascórbico. A rigor, quimicamente o ácido ascórbico é um antioxidante, mas na massa atua como oxidante, através de um mecanismo que é alvo de muita controvérsia e que ainda não foi totalmente esclarecido. Segundo a legislação brasileira, o ácido ascórbico em panificação não é considerado um aditivo, mas um melhorador da tecnologia de panificação (Resolução CNNPA 4/70).

Além do ácido ascórbico, a legislação brasileira prevê ainda a utilização da azodicarbonamida, porém seu uso está restrito aos moinhos de trigo.

4.3.4. Agentes Branqueadores de Farinha

Uma outra categoria de melhoradores de farinha são os agentes branqueadores. O uso de agentes branqueadores de farinha é bastante recente no Brasil, e o único branqueador previsto pela legislação brasileira é o peróxido de benzoíla. O tratamento com este aditivo é feito exclusivamente pelos moinhos de trigo, já que sua adição éfeita logo após a moagem do trigo. Os agentes branqueadores atuam sobre os pigmentos carotenóides da farinha de trigo, oxidando-os. Isto permite a obtenção de pães com miolo mais branco, que é uma característica que agrada bastante o consumidor.

4.3.5. Enzimas

As enzimas mais comumente utilizadas em panificação são as amilases. Além das amilases, recentemente vem sendo introduzidas novas enzimas na tecnologia de panificação, dentre as quais podemos destacar as hemicelulases, as amiloglucosidases, as lipoxidases, etc. Cada uma destas enzimas exerce funções específicas, contribuindo para melhorar tanto a massa como os produtos finais. As amilases são muito importantes em processos de panificação, principalmente aqueles de fermentação mais longa, pois proporcionam a formação de açúcares fermentáveis, ou seja, açúcares que podem ser metabolizados pelo fermento, para formação de CO2. O açúcar fermentável formado pela ação das amilases é a maltose, através das reações .

 Em farinha de trigo de boa qualidade, o teor de alfa-amilase é bastante baixo e para que ocorra a formação de açúcares necessários à fermentação, é feita então a suplementação. A suplementação de beta-amilase não é necessária, uma vez que normalmente a farinha de trigo já possui beta-amilase suficiente para a ocorrência da reação. De forma indireta, as amilases também favorecem a coloração da crosta e o volume dos pães. Segundo a legislação brasileira, as enzimas são classificadas como coadjuvantes de tecnologia.

4.3.6. Conservantes

Os conservantes constituem uma classe de aditivos utilizada somente em pães embalados, ou seja, aqueles que necessitam de vida-de-prateleira mais longa, como é o caso dos pães de forma. Assim, a função dos conservantes em panificação é o prolongamento da vida-de-prateleira, através da inibição do crescimento de microorganismos.

5. CONCLUSÕES

• O uso de aditivos é fundamental para corrigir deficiências da farinha de trigo, e permitir a padronização da qualidade dos produtos finais.
• Para isto, no entanto, é preciso que os aditivos sejam utilizados nas dosagens corretas, de acordo com o tipo de produto final desejado, as matérias-primas utilizadas e o processo de panificação escolhido.
• O fabricante de pão tem a possibilidade de escolher entre utilizar os aditivos separadamente, na forma de melhoradores ou inseridos nas misturas industriais para panificação.

6. BIBLIOGRAFIA

- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO. Compêndio Mercosul -Legislação Alimentos e Bebidas. São Paulo: ABIA, 1995. v.1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO. Compêndio da Legislação de Alimentos. 6. rev. São Paulo: ABIA, 1996. v.1e1/A.

- DOERRY, W. Breadmaking Technology - an introduction to bread baking in North America.Kansas: American Institute of Baking, 1995. v.1.

Estudando Panificação - Os Principais da Panificação

Os principais ingredientes da panificação

O conhecimento dos ingredientes básicos utilizados na panificação é essencial para a fabricação de pães. A combinação e a diversidade dos mesmos que promovem o sucesso da panificação. É claro que os conhecimentos técnicos também são necessários.

Ingredientes básicos

 

FarinhasÁguaSalFermento ou fermentador

Farinhas diferentes

O sabor e a textura do pão podem variar, dependendo das diferentes farinhas de cereais e grãos que forem usadas. As farinhas de trigo são as mais usadas por seu alto conteúdo de glúten, o que resulta em pães leves e macios. Os pães de texturas mais densa combinam a farinha de trigo mais pobres em glúten. Experimente substituir parte da farinha de sua receita por umas das que seguem.

FARINHA DE CEVADA: dá cor cinza-claro e um gosto de “terra”.

FARELO: os farelos de arroz e de aveia têm gosto de castanha. Para realçar o gosto, toste os farelos antes de usar.

FARINHA DE TRIGO-SARRACENO: dá textura densa e tem gosto forte.

TRIGO BÚLGARO: geralmente usados em pães multigrãos para dar textura granulosa. Use em pequenas quantidades.

FARINHA DE MILHO: dá textura levemente granulosa e tom amarelado, mas dá pouco sabor.

AVEIAS: podem ser usados grãos finos, aveia em flocos ou a farinha. Dá textura levemente granulosa e gosto de aveia.

FARINHA DE CENTEIO: precisa ser combinada com farinha de trigo pois não têm glúten. Em geral é misturada à de trigo integral.

FARINHA DE SOJA: de textura fina não contém glúten, mas é usada em massas de pão para incrementar o sabor e os nutrientes.

FARINHA DE ESPELTA: rica em glúten, pode ser usada sozinha. Tem sabor levemente adocicado e cor castanho-dourada.

 

Água

A água tem importância primordial na formação da massa. Hidratada a farinha, assegura a união das proteínas que dão origem ao glúten e ao mesmo tempo fornece meio propício ao desenvolvimento da atividade enzimática e, consequentemente, à fermentação do pão.

Funções da água na panificação: possibilita a formação do glúten; controla a consistência da massa; controla a temperatura da massa, aquecendo-a ou resfriando-a; dissolve os sais; suspende e distribui os ingredientes que não a farinha de trigo; umedece e intumesce o amido, deixando-o mais digerível; possibilita a ação das enzimas; e, controla a maciez e palatabilidade do pão.

Característica de água adequada à panificação: limpa, inodora, incolor e potável; dureza intermediária 50 – 100ppm; pH neutro, ligeiramente ácido.

Sal

O sal sempre foi usado na panificação, todavia, segundo historiadores, sua eficácia como melhorador foi descoberta por acaso. De maneira geral, o sal na massa de pão contribui de modo positivo sobre a mesma, pelas razões a seguir:- melhora as características de plasticidade da massa, melhorando a força do glúten;- melhora as características da crosta;- melhora o sabor do produto final do pão;- afeta as características de conservação do pão, devido às propriedades higroscópicas. Em geral, a porcentagem mais indicada do sal em uma massa é de 1,5% a 2,0% no máximo. O excesso pode alterar o sabor do produto final, e a falta pode trazer as deficiências de uma massa não maleável, difícil de trabalhar, menos elástica, etc.

Fermentos ou fermentadores

O fermento usado normalmente nas padarias é do tipo fresco, e é oriundo da espécie Saccharomyces cerevisiae. No processo de panificação, sua função principal é a de provocar a fermentação dos açúcares, produzindo CO2, que ao mesmo tempo é responsável pela formação dos alvéolos internos e pelo crescimento da massa. Industrialmente o fermento é produzido a partir do melaço, usando-se culturas de leveduras adequadas para sua reprodução. Do ponto de vista prático, existem no mercado dois tipos de fermento biológico que são comercializados: o fermento prensado fresco e o fermento biológico seco, ativo ou não.

Fermento Fresco:
É o mais comum, apresenta-se ob forma de blocos, com consistência compacta e homogênea, e com teor de umidade elevado (o que exige refrigeração para sua conservação, limitando o seu uso por períodos prolongados). Assim, quando armazenado a uma temperatura de 5ºC, sua vida de prateleira é de no máximo 12 dias. Qualquer alteração da cor e odor do fermento indica problemas de qualidade fermentativa.

Fermento Seco:
Tanto o fermento seco ativo como o não ativo são obtidos através da secagem do fermento fresco a baixa temperatura, para não prejudicar a qualidade fermentativa. A grande vantagem desse tipo de fermento é sua conservação que é longa devida principalmente à sua baixa umidade.

Seco Granulado Não Ativo: possui células que estão em estado latente, e que precisam ser revigoradas previamente para ter uso. Isso é feito normalmente reidratanto-o com água 15 a 20 minutos antes de seu uso a 38ºC.

Desidratado Instantâneo Ativo: vem sempre embalado em recipientes a vácuo sendo incorporado diretamente na massa, no início do processo. Esse tipo é produzido por processos mais sofisticados, usando-se strains de leveduras especiais e usando-se secagem em leito fluidizado. Deve-se lembrar que os fermentos, quaisquer que sejam seus tipos, perdem sua ação a partir de 45ºC, razão pelas quais se deve evitar submetê-los a estas temperaturas. Da mesma forma, se forem temperaturas excessivamente baixas, são prejudicados.